O jogo Coritiba x São Paulo, no Couto Pereira, pela última rodada do Brasileirão [o qual acabou em 1x1], foi marcado por uma cena chata de se ver nas arquibancadas. Uma torcedora jovem do Coritiba, fã do são-paulino Lucas, pediu a camisa do meia ano fim do jogo. Até aí, tudo bem, o Lucas deu e tal... Só que ela fez isso na arquibancada cheia de torcedor do Coritiba. Não deu outra: os coxa-branca caíram em cima, xingaram e alguns mais revoltados até tentaram agredir a garota. Resultado: ela teve que devolver a camisa, e ela saiu do estádio amparada pelo pai e coberta de xingamentos.
No Pacaembu, no jogo Corinthians x Sport [vencido pelo time alvinegro por 3x0], um torcedor foi retirado das arquibancadas do Corinthians por usar uma camisa do Celtic Glasgow, time escocês que usa as cores verde e branco. Não houve tentativa de agressão, mas o torcedor foi expulso.
Os dois episódios refletem o poder exagerado da torcida sobre ela mesma. Muitos críticos e moralistas podem perguntar: "Era pra tudo isso? Era pra tentar agredir uma menina porque ela pediu uma camisa do adversário? Era pra expulsar um cara que tava usando uma camisa verde de um time que nem do Brasil é?"
Tá, talvez não fosse pra tudo isso, mas não sejamos hipócritas. É natural uma torcida se revoltar, ou por derrota, ou pela rivalidade. O torcedor do Coritiba não tem nenhuma relação de rival ou algoz com o São Paulo, mas se há um jogo entre os dois, ali começa a guerra. É time contra time, é torcida contra torcida. Facilmente a gente entende que a garota não queria provocar: ela realmente era fã do Lucas pelo que ele joga no São Paulo e na Seleção, aí, na inocência, pediu a camisa dele. Mas vai dizer isso ao torcedor do Coxa, revoltado com o empate do time que tá na briga contra o rebaixamento... Seria bem mais cômodo a garota pedir no aeroporto, ou em algum outro lugar que não ALI.
No Pacaembu, ok, o Corinthians ganhou com folga. Mas ali o buraco é mais embaixo. Estamos falando de uma rivalidade de muito tempo, com um histórico GIGANTE de provocações, brigas e mortes. Se aparecesse um cara de preto na torcida do Palmeiras, também expulsariam. Se isso aconteceu com o cara do Celtic, também aconteceria com um torcedor da Juventus na arquibancada do Porco.
Por isso, comentaristas, críticos, moralistas e pessoas não muito ligadas a futebol: não estamos falando de jogo da Seleção Brasileira, em que todos vão por um time só, só pra assistir. Estamos falando de uma torcida apaixonada, doente, em que cada torcedor escolheu AQUELE time no meio de tantos. Isso explica tudo.
