quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Bola parada, che bella!!!

Você tá vendo um jogo qualquer. Falta perto da área. O cobrador se posiciona.


Não importa, você torce para que saia o gol. Não é mais bonito que o de bicicleta, de arrancada, ou um chutaço de longe. Mas é um dos gols mais mágicos do futebol. Ver aquela bola passando por cima da barreira e morrendo no canto do goleiro é uma das mais belas trajetórias que uma bola pode fazer. E, em certos casos, uma jogada ensaiada bem executada também enche os olhos de qualquer bom apreciador do futebol.

Hoje, o grande fazedor de gols de falta no mundo é Cristiano Ronaldo. O português bate de um jeito mais "pancada" na bola, não deixando ela girar. Com isso, a bola sofre os efeitos do vento e podem confundir o goleiro. Além disto, ele bate com muita força, então ou a bola bate na barreira... ou é gol.

Outro que bateu deste jeito por um bom tempo foi Juninho Pernambucano, tido pelo físico Ken Bray como o melhor batedor de faltas da história do futebol, e que já teve rendimento de incríveis 50% no auge. Começou batendo com o lado interno do pé, usando uma leve força. Com este tipo de batida ele fez o gol mais importante da carreira dele (vídeo). Depois alternou para uma batida ao estilo da do Cristiano Ronaldo, só que com menos força. Hoje ele é imprevisível: bate como quiser, e sempre leva perigo. Mas, com o peso da idade e a necessidade de treinar o físico, ele diminuiu os treinos de faltas e agora está com menor rendimento.

Outro brasileiro que leva perigo na bola parada é Marcos Assunção. Um dos sustentáculos do time palmeirense (com ele, Copa do Brasil. Sem ele, bagunça e zona de rebaixamento), é conhecido pela batida forte e com efeito, fazendo vários goleiros errarem o golpe de vista. O último dos grandes especialistas em bola parada no Brasil é Ronaldinho Gaúcho que já fez gols memoráveis em bola parada baseados na criatividade e categoria muito precisas, como o que fez contra a Inglaterra em plena Copa do Mundo de 2002 (vídeo) e contra o Santos no antológico 5x4 para o Flamengo em 2011 (vídeo).

Para 16 milhões de brasileiros, o maior nome das faltas no Brasil se chama Rogério Ceni. O goleiro com mais de 100 gols na carreira, fato que eu acho insuperável, sempre bateu com categoria as faltas da entrada da área. O gol mais importante da carreira dele (o centésimo, vídeo) foi de falta.

Para fechar a conta, o único jogador na face da terra que batia de modo "pancada", o chute mais forte sem ser por cima da barreira, e quase nunca errava: Roberto Carlos. Com chutes que chegavam a 130 km/h, o lateral brasileiro tinha em sua perna esquerda um CANHÃO que, se passasse da barreira, tudo dependia da coragem do goleiro em tomar nocaute ou deixar a bola passar. Pela opinião pública, é dele o gol de falta mais bonito de todos os tempos (vídeo).


No exterior, temos 2 grandes especialistas bem aí em cima, nesta imagem. David Beckham e Andrea Pirlo. Beckham sempre foi o batedor de faltas da Inglaterra, colocava a bola onde queria, e foi o único da lista até agora que já fez gol do meio de campo. E não foi só um não... mas hoje joga nos Estados Unidos, onde ninguém o vê. Pirlo até hoje faz seus gols de falta, mas sofre com a idade bem como Juninho.

O último grande nome da lista (eu tinha que deixar pro final) é Lionel Andrés Messi. Não tem toda a "arte" dos outros da lista, mas tem o que ele sempre tem em todos os fundamentos: eficiência. Não é aquele chute enganador de goleiro, nem bate de toda distância, mas... pegou a bola ali na entrada da área, jogou por cima da barreira, tá lá dentro, comemorou. Futebol parece ser tão fácil quando se vê o Messi jogar...

No fim das contas, toda esta apresentação foi para mostrar como há gente que ainda sabe bater falta atualmente. Só basta treinar, o talento tá aí. Pra quem se interessou, aqui vai um vídeo de cada jogador da lista:

Cristiano Ronaldo
Juninho Pernambucano
Marcos Assunção
Rogério Ceni
Roberto Carlos
Ronaldinho Gaúcho
David Beckham
Andrea Pirlo
Lionel Messi

Espero que o talento destes que atualmente guardam a bola em cobranças de falta sejam passados para os sucessores. Um gol de falta é sempre bonito de ver.

E a graça, onde fica?

Sugestão de tema por Wendhell Melo. Se quiser, eu anexo o link do seu facebook. Valeu!!

Muito se discute a utilização de chips, replays instantâneos, sensores e vários apetrechos para ajudar o juiz em partidas de futebol em caso da bola passar muito pouco (ou não) da linha do gol, de linha de fundo ou da lateral. É correto, vale a pena, tem fundamento?

A FIFA aprovou o uso de bolas com chip, como esta do lado, no Mundial de Clubes deste ano. A bola conta com um chip interno e sensores nas traves: quando a bola passar da linha do gol, o chip emite um sinal para o relógio do árbitro, que validaria o gol. A medida visa a diminuir os erros de arbitragem como o que aconteceu na Copa de 2010, no jogo Alemanha x Inglaterra, em um chute de Frank Lampard. Reveja:



Também mostro um vídeo que explica bem o funcionamento das bolas com chip:



Acontece o seguinte: o árbitro com certeza aprovará a tecnologia, será um trabalho com menos pressão para ele. Foi gol? O chip vai avisar, o juiz dá o gol, ninguém pode reclamar. Se não foi gol, segue o jogo. Por um lado, é uma medida que trará um futebol mais correto. Por outro, vai deixá-lo muito robótico. A magia vai-se embora e o juiz perde a autoridade para uma máquina. O futebol não é um esporte de cronômetro, como atletismo ou natação. Não depende da máquina para acontecer. Acontece até se não tiver juiz...

Outro aspecto muito discutido é o dos replays instantâneos. Acham que a marcação de faltas será mais justa com este recurso. Este é simples: teria um telão no estádio que colocaria o replay do lance logo depois que aconteceu, para conferência do juiz. O que não percebem é que isto pode causar mais confusão ainda, porque o juiz, os jogadores e a torcida verão o replay. Os jogadores vão falar "Não foi falta, juiz! Olhe o replay!!" em uma marcação. A torcida irá chiar. O replay só será um custo a mais, não vai resolver nada, e vai irritar ainda mais o ambiente.

Tecnologia no futebol é algo que, inevitavelmente, será introduzida aos poucos. Começou com a 'bola inteligente'. Depois, pode vir o replay pro juiz. O que virá depois? Linha de impedimento automática, como no futebol americano? Por favor, deuses do futebol, não façam o esporte perder a graça. A Máquina resolve os problemas, mas às vezes os problemas é que dão graça ao jogo.

domingo, 28 de outubro de 2012

TOP 5 momentos vividos por goleiros

O profissional mais injustiçado do futebol merece seu momento aqui, né? Separei para quem gosta 5 momentos marcantes que envolvem o goleiro... é um bom motivacional pra quem quer seguir carreira embaixo das traves.

5 - Gol de goleiro no último minuto

O momento de glória máxima do goleiro: quando ele vai pra área no último minuto e marca o gol que salvaria o time da derrota ou daria a vitória ao time dele. O exemplo que eu dou aqui, pela emoção do gol, é de 2009. Gustavo, do São José. Em sua estreia pelo São José no Campeonato Paulista A2, contra o Comercial, ele vai pra área no último minuto e marca o gol de empate. Vejam:



4 - Um frango pra causar vergonha

Claro que nem só de glórias vive um goleiro, né? Também tem um franguinho de vez em quando. Mas tem aqueles que são pra lascar: cai a moral do goleiro, cai a moral do time, e sobem as zoações do torcedor. O exemplo vem da Série B de 2012, no jogo América-MG x Criciúma. O goleiro Michel Alves, do Tigre, se jogou para uma defesa aparentemente fácil e...



3 - Defesa importante em final de campeonato

Aquela defesa que decide um campeonato. Pensou em uma? Pois é, sempre tem este momento em que o goleiro é o herói. O multipremiado goleiro tcheco Petr Cech, na prorrogação da final da Liga dos Campeões 2011-2012, tinha a dura missão de parar Arjen Robben, jogador do Bayern de Munique conhecido pelos bons chutes, em um pênalti. Alguém teria que ser o herói...



2 - Defender 2 pênaltis num jogo só... do rival!

Para um goleiro, defender é bom. Defender pênalti é muito bom. Defender dois pênaltis é maravilhoso. Defender dois pênaltis do rival e ainda eliminá-lo do campeonato... isso sim é FODA. Foi o que aconteceu com Dida, então goleiro do Corinthians, no Campeonato Brasileiro de 1999. O Timão ganhava do São Paulo por 3x2, quando no segundo tempo de jogo, acontecem 2 pênaltis para o São Paulo. A cobrança era responsabilidade de Raí, grande ídolo tricolor. Este vídeo, apesar de extenso, mostra em detalhes o que aconteceu. Se você for são-paulino, não recomendo assistir.



1 - Fazer a defesa mais comentada de todos os tempos

Imagina você ser famoso pela eternidade por conta de suas defesas. Dificilmente um goleiro consegue ser assim. É privilégio de Taffarel, Gordon Banks, Rodolfo Rodríguez. Mas nenhum destes teve a defesa que consta na carreira de René Higuita. Este goleiro colombiano fez a defesa que hoje é imitada, é lembrada... é admirada por todos. Se você mora num casulo e nunca viu esta defesa, assista:



Pois é, galera. Ser goleiro não é fácil, mas não existe jogo sem goleiro. Pode faltar o juiz, mas o goleiro é indispensável.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Velho é o c...!!!

Sabe quando vemos que o futebol realmente está perdendo o encanto?? Quando vemos que estes jogadores novos não estão mais prendendo a atenção de ninguém. Só quem faz isso são o Messi, o Cristiano Ronaldo e, a nível nacional, Neymar. Havia tempos em que existiam talentos que cativavam a muitos em todas as posições: tinha o Maldini, o Figo, o Roberto Carlos, o Davids, o Zidane e, claro, Ronaldo. Desta transição "futebol encantado - futebol de negócio", ainda sobram remanescentes do primeiro. E, ainda bem que podemos ver alguns jogando no futebol brasileiro.

O negócio é tão difícil que teve gente que se aposentou e o técnico chamou o cara de volta pra dar uma moral ao time. Pra os mais fissurados no futebol, não preciso dizer que trata-se de Paul Scholes, lenda do Manchester United. Ele passou pouco tempo aposentado, mas com a má fase do time, o Sir Alex Ferguson fez um convite formal chamando-o de volta para jogar. No jogo de re-estreia fez um gol. É mole?

Outro que ainda mantém características de um futebol bem jogado e não-mecânico é Steven Gerrard, figura máxima dentro do Liverpool FC. Com 32 anos e uma carreira inteira servindo aos Reds, ele mantém um futebol repleto de chutes imprevisíveis e bem dados, passes precisos e jogo simples quando necessário. Está muito bem fisicamente, à frente mesmo dos mais novos.

Na verdade, um jogador não é velho nunca. Ele ou mantém a forma ou não. Se for como o Figo, jogador da primeira foto, que passou a carreira toda em forma até se aposentar, ótimo. Se for como o Ronaldo que, por mais jogador que ele seja, ele perdeu muito em forma antes de se aposentar, aí fica mais difícil. Jogador com idade mais avançada tem é que treinar PESADO para jogar contra esses garotos que tão vindo aí até na base da bomba.


No Brasil podemos ver grandes exemplos, mas os principais são, com folga, Juninho e Seedorf. O cruz-maltino passou por glórias e mais glórias no Lyon-FRA, sendo o grande cérebro do time. Com 36 anos, volta ao Brasil no ano passado sendo taxado de velho pelos rivais e até por alguns torcedores do Vasco. Mas, em um ritmo regular de treinos, tá dando conta do recado e jogando muito bem. O Vasco sem ele é como o Santos sem Neymar: até joga, mas já se espera a derrota.

Seedorf chegou este ano ao Botafogo taxado como "jogador em fim de carreira", "velho", "não aguenta nada". Treinou, manteve a forma, e já fez isso:



Detalhe para a arrancada no lance do terceiro gol.

Para finalizar, é bom saber que os "coroas" querem é jogar bola. Isto é bom para quem gosta de apreciar um bom futebol, porque quem tem um talento e quer mostrá-lo, e se cuida para isso, é sempre bom ver. Os novos que aprendam, porque um dia eles estarão mais velhos. Será que eles vão conseguir manter a forma? Vão jogar aos 36, 37 anos?

Não sabemos.

Os tidos como "velhos" podem erguer a mão e bradar: "velho é o c...! Eu jogo mais e tenho mais físico que você!"

domingo, 21 de outubro de 2012

[Ainda não] Pode entregar a taça!

Perdoem-me a falta de posts, pois precisei viajar. Mas estou de volta para mais textos relevantes... ou não.

O post de hoje era pra ser apenas "Pode entregar a taça!", falando de como o Fluminense está com sorte [e arbitragem] de campeão.

Era. Até o confronto de hoje.


O Fluminense vinha naquela de "campeão por mau futebol": jogando pouco e ruim, achava um gol com Fred ou Thiago Neves e segurava lá atrás, muito por méritos de Diego Cavalieri, e ganhava. Foi assim nos jogos contra Botafogo, Ponte Preta, e no empate contra o Grêmio. Era de um jeito que só quem realmente era Fluminense ficava do lado do tricolor carioca. O resto torcia contra.

Para polemizar mais ainda a vitoriosa campanha do time das Laranjeiras, erros crassos de arbitragem a favor. Não tiro os méritos dos goleadores do Fluminense, eles só aproveitaram a oportunidade; mas se o árbitro errou em um lance capital, ele ajudou o time a vencer. Intencionalmente ou não, ajudou.

De tanto os rivais secarem... aconteceu o raro hoje. Fluminense x Atlético-MG, os dois grandes candidatos ao título se enfrentaram em Minas. Em resumo: foi um JOGAÇO. Se não quiser detalhes, pule os próximos parágrafos.

O Atlético começou querendo jogo: partiu pra cima, com muitas jogadas vindas dos pés de R. Gaúcho e Bernard. Mas aí o velho futebol "Cava aguenta" do Fluminense começou. O Atlético teve tanta chance no 1º tempo que eu perdi a conta. Cá entre nós, aquele Guilherme perde gol demais. Tanto ele quanto o Jô abusaram dos gols perdidos no 1º tempo. Ronaldinho e Bernard devem ter saído para o vestiário pensando: "Eu tô me esforçando, criando jogadas, dando passes precisos pra uns bostas desses perderem o gol? Ah pra PQP!!" No fim, com apenas 1 finalização do Fluminense, 2 bolas na trave do Atlético e 4 (quatro!!) defesas difíceis de Cavalieri, 0x0.

Apenas um parágrafo especial sobre o gol anulado do Gaúcho: desculpem, torcedores do Galo, mas o juiz acertou. Por mais que a bola tenha sido MÍTICA, o Leonardo Silva fez um strike na barreira.

Daí veio o segundo tempo... que fez qualquer um esquecer o primeiro tempo, mesmo com as grandes chances. Primeiro, o "momento campeão" do Fluminense: na terceira chegada do time no jogo inteiro, o "homem-quase-gol" Wellington Nem recebe passe do "homem-gol" Fred e marca: uma inversão de papéis que pôs o Flu na frente. Injustiça? Eu não vou mentir: desliguei a TV por um tempo e disse: "puta merda, pode entregar a taça já que esse aí tá com sorte de campeão".

Nem vi a virada do Atlético. Apesar de eu ainda não acreditar, lá vai o fato: 2 gols de Jô.

Fred, como sempre, empatou para o tricolor carioca. Mas, aos 47 do segundo tempo, em um cruzamento bem ao estilo Ronaldinho Gaúcho, apareceu o gigante. O cara vibrando na primeira foto. Leonardo Silva, o zagueiro que tem mais gol que os atacantes do Corinthians e Cruzeiro juntos. Testou a bola que foi morrer no ângulo esquerdo do atual melhor goleiro do Brasil, mas acho que o Mano Menezes o odeia. Na vibração, um sentimento: "A gente tá vivo!!!"

Com o resultado, a diferença entre os dois agora é de 6 pontos, faltando 6 rodadas. São 18 pontos em jogo... ou melhor, 36. Emoção? Não vai faltar. É como briga de político: não dá pra ficar neutro. Eu já escolhi o meu lado: quero que o Galo leve este caneco, pois tá jogando mais bola. Provou isso hoje. Nos 2 confrontos diretos, um empate e uma vitória a favor do time mineiro.

Por isso, quem dizia "Já pode entregar a taça!!" falando do Fluminense, agora comece a pensar duas vezes.

domingo, 14 de outubro de 2012

"Eu não tô nem aí!"

É o que você vai ouvir se perguntar do Brasileirão a um corinthiano.


Há muito tempo o corinthiano queria se sentir assim: à vontade com o time. Sempre foi um torcedor cuja sombra era o sofrimento, a paixão exagerada. Por muitas vezes, isso fez o corinthiano tomar decisões insensatas, fazer jornadas incríveis... tudo por "uma vida, uma história, um amor".

O corinthiano via todos os outros torcedores em paz, principalmente o seu atual rival mais poderoso, o São Paulo, que adorava jogar o "6-3-3" na cara do alvinegro. Tirava onda mesmo, se sentia o superior. O corinthiano até tentava replicar, mas em muitos casos não conseguiam rebater, pois não tinham, até então, um argumento importante: título.

De 2008 pra cá, isto mudou. Começou com o título da Série B que, apesar de ser "Série B", começou a Era Mano Menezes no clube. Começou a redenção corinthiana, sob o comando de Andrés Sanches. Veio Ronaldo, vieram os títulos Paulista e da Copa do Brasil de 2009. Veio o tabu em cima do São Paulo. Começaram os argumentos a favor do Corinthians.

Em 2010 e 2011, eliminações inesperadas na Libertadores fizeram os rivais se engraçarem para cima dos alvinegros novamente. Era Flamengo pra cá, Tolima pra lá... a eliminação para o Tolima, por sinal, foi a única de um time brasileiro na fase preliminar da Libertadores. Foi o último jogo do Ronaldo Fenômeno em um clube. Foi o período de baixa alvinegra na década.

Mas, no mesmo ano, veio o Brasileirão de 2011. Vieram os 12 jogos invicto. Veio o 5x0 sobre o São Paulo com direito a frango de Rogério Ceni. Veio o Adriano que, mesmo gordo, aleijado, cachaceiro e drogado, fez um gol aos 43 do segundo tempo praticamente dando o título ao Timão. E, sobre o arquirrival Palmeiras, no dia da morte do ídolo e profeta Sócrates, o título Brasileiro.

Mas os rivais, como não podiam deixar de provocar, tinham os 2 argumentos clássicos: "Não tem estádio, não tem Libertadores". No fim do mandato do Andrés no Corinthians, a surpresa: O Corinthians está construindo um estádio. E será o palco do primeiro jogo da Copa do Mundo de 2014. Um argumento a menos.

Mas faltava o último argumento a derrubar. Faltava o sonhado e obsessivo título da Libertadores. E, em 2012, ele veio em grande estilo. Invicto. Final contra o Boca. O principal lance não foi um gol. A comemoração foi intensa, tanto que... a festa tá aí até hoje.

Campeonato Paulista? Que isso? Copa do Brasil? Palmeiras ganhou? Dane-se. O Corinthians tá no meio da tabela do Brasileirão, sem nenhuma pretensão? Tanto faz. O Fluminense é o líder? Deixa lá, tá tudo bem... EU NÃO TÔ NEM AÍ!

O corinthiano não quer saber do Brasileiro. Ele só quer saber que ganhou a Libertadores de 2012, que vai disputar o Mundial no Japão podendo encarar o Chelsea numa final, que o estádio do time dele será o da abertura da Copa, que é o time mais bem-sucedido das Américas na década. Ainda não caiu a ficha, o corinthiano não zoa o Fluminense, por exemplo.

O corinthiano agora só quer saber dele mesmo. Pra ele, ele tá na boa, os outros que corram atrás.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Não cai por sorte.

E porque ainda tem times piores.


Convenhamos: torcida é um dos grandes trunfos de um time. Mas para um time ter torcida, é preciso ele jogar bem, ter boas conquistas e fazer a torcida se sentir orgulhosa. E se tem uma grande torcida que não está nada bem com o time, esta é a do Flamengo.

O último momento bom foi em 2011, quando ganhou o Campeonato Carioca, sob a batuta de Ronaldinho Gaúcho. Desde então, veio um conjunto de maldições ao time rubro-negro, para tristeza dos torcedores apaixonados e alegria dos rivais, fazendo o time colecionar vexames. 2012, com certeza, é um dos piores anos do Clube de Regatas do Flamengo como um todo.

Hoje, no Brasileiro, o Flamengo é o 14º colocado, o pior entre o times cariocas. Oito pontos o separam da zona de rebaixamento, o que parece ser muita coisa, mas não é quando se olha na tabela apenas Bahia [uma das melhores campanhas do 2º turno] e Coritiba [quase imbatível em casa] separando o Flamengo do Sport, primeiro da zona da degola.

Além disso, em 2012, o time não ganhou nenhum turno do Campeonato Carioca, o que era quase lei ganhar. Com isso, começaram a vir os problemas administrativos, liderados pela atual presidente Patrícia Amorim. Salários atrasados (até hoje!), cortes da luz, jogadores insatisfeitos, falta de estrutura no CT, e - a cereja gorda do bolo - Adriano. O resultado disso? A atual situação no campeonato.

Nos bastidores do clube, não faltam a malandragem e as promessas. Dentro de campo, falta vontade. Tem um atacante de boa qualidade, mas não tem bola boa que chegue a ele. Se você viu o terceiro gol do Corinthians, no jogo de ontem (melhores momentos aqui), percebeu que o contra-ataque surgiu de uma bola perdida por Vágner Love no meio-campo. Por quê o Love ali? Porque a bola não chegava a ele perto da área. O Flamengo tem até bons jogadores, o próprio Love, o Liedson que é bom goleador, o Felipe que pega bem, o Léo Moura que faz bons cruzamentos... falta apenas motivação.

Agora, deixe-me explicar o título deste post. Como eu disse, só dois times separam o Flamengo da zona. Destes, boto fé na permanência do Bahia, apenas. O resto, mesmo não passando tanto problema administrativo, perderia pro time do bairro aqui. O Flamengo ainda é capaz de fazer bons jogos, desde que o meio-campo consiga encaixar algo [o que é cada vez mais raro]. O Atlético-GO e o Figueirense já estão virtualmente rebaixados. O Palmeiras tá caminhando para isso [ainda farei um post só sobre o Palmeiras]. A última vaga fica entre Sport e Coritiba. Fica na primeira quem tiver mais sorte. Sorte esta que o Flamengo já tem, por causa da existência destes times.

Podem até ter flamenguistas me xingando, mas acreditem: eu queria o Flamengo um pouco melhor. É o time do meu pai, mas é um time que, pelo status de gigante que tem, está fazendo vergonha aos olhos do mundo. E, se o futebol brasileiro quer se agigantar frente ao futebol de outros países, isso tem que começar dos clubes. É como aqueles cremes anti-rugas: tem que agir de dentro pra fora.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Apesar dos pesares, a igualdade.

A tabela ao lado mostra os últimos 25 campeões do Campeonato Brasileiro. Por mais que o futebol brasileiro seja despreparado em relação ao europeu (apesar de isso estar mudando lentamente), é muito bonito de ver a diversidade dos campeões. Ao todo, são 13 times diferentes para 25 títulos.

Quando você vai ver um campeonato Espanhol, por exemplo, você sabe que quem vai ganhar é o Real Madrid ou o Barcelona. Num campeonato Inglês, tá entre o Manchester United, Chelsea e Arsenal, com o Liverpool correndo por fora. No Italiano, está entre Inter, Milan e Juventus. No máximo dos máximos, você diz que o título está entre 4 times antes mesmo do torneio começar.

No Campeonato Brasileiro, em reta final, três times estão na briga pelo título. Poucos críticos do futebol apostariam nestes times. Quem imaginaria o Atlético Mineiro, que não ganha um título nacional desde 1971, na luta pela taça? Ou o Grêmio, finalmente dando a volta por cima em torneios nacionais? Será uma disputa acirrada até o fim do campeonato.

Mas não é só em cima da tabela que há emoções. Na parte de baixo, há ameaças de times de maior expressão caírem. O Palmeiras corre sério risco de cair. O Santos, pois é, o badaladíssimo santos outrora de Neymar e Ganso, hoje só de Neymar, que todo mundo colocava como favorito ao título, está na parte de baixo da tabela. No Brasil, time grande cai. Quer exemplos? Aí estão:



  • O auto-proclamado maior campeão nacional da história? Já caiu.
  • O primeiro vencedor do Campeonato Brasileiro? Já caiu.
  • O atual líder do Brasileiro? Já caiu. Pra série C até.
  • O atual campeão Brasileiro e da Taça Libertadores? Já caiu.

O único exemplo de time grande cair na Europa que eu vi foi naquele episódio da Juventus em 2005. E foi por causa de problemas extra-campo. Na bola, duvido um Barcelona, um Man United ou um Inter cair.

Acompanhar o Brasileirão é isso: ver um campeonato imprevisível, onde os favoritos podem se dar mal e os ditos "sem pretensão" despontarem. Na Europa, só o Francês é assim.Aqui temos uma igualdade de condições entre os times, mesmo tendo times mais ricos que os outros. Aqui todos os jogos são, realmente, de igual pra igual. Aqui o lanterna pode ganhar do líder, né?

Perdoem-me, europeus, mas eu gosto de ser surpreendido. E nisso, o futebol brasileiro é mestre.

domingo, 7 de outubro de 2012

Treinamento pesado...

Hoje, tudo é treinar. O talento fica pra segundo plano. Mas tem alguns modos de treinamentos bem... inusitados.

Essa foi antes do último jogo para as Eliminatórias da Copa do Mundo. O treinador de goleiros do Bahrein (ou Barein, como preferir) colocou o carro do goleiro atrás dele!! A galera chutava e ele que se virasse pra proteger o patrimônio...


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Acabou o respeito.


Quem nasceu antes de 2000 sabe como o Brasil PARAVA quando tinha jogo da Seleção Brasileira. Todo mundo era patriota, era "pra frente Brasil", "é taça na raça, Brasil", enfim... até quem não gostava de futebol assistia, era o símbolo brasileiro, era onde o Brasil era superior. Os bares eram lotados, todos os amantes do futebol se juntavam em uma só torcida: a pela Seleção Brasileira.

Mas isso durou até a Copa de 2006. O patriotismo foi substituído pela decepção de uma copa perdida e seleções que não jogavam bem. Não há mais confiança nos técnicos que entram na Seleção, muito menos nos jogadores. Quando dizem: "Ei, e o jogo da seleção?" respondem: "Que jogo? Eu nem sabia...". Acabou aquela vontade de ver o Brasil vencer, acabou o patriotismo exagerado digno de Policarpo Quaresma.

De quem é a culpa? Não sei responder bem. Pode ser a safra de talentos, que atualmente só temos dois ou três realmente bons; pode ser o técnico que está armando o time para jogar um futebol truncado e muito ruim de ver; pode ser a CBF que ninguém confia plenamente nela... Há várias opções. Quem sabe isto mude com a copa de 2014 no Brasil.

Mas enfim: se acabou o patriotismo, se acabou a festa, a confiança, ainda sobrava respeito. Se o Brasil viesse a São Luís jogar, com certeza todos iriam (incluindo eu), os organizadores do estádio iriam fazer o possível para não haver problema algum, e quem fosse adversário iria ver que era um time DE RESPEITO jogando... mesmo que de forma bagunçada.

Depois do episódio de Resistencia, na quarta, percebi que este respeito não existe mais. Não há mais aquele cuidado em "não pode dar nada errado em um jogo de Brasil x Argentina". Primeiro, colocaram o jogo num estádio acanhado, que nem 30 mil pessoas cabia. Não tinha porte. Segundo: o jogo era de noite. A luz do sol não falha, mas a dos postes de luz SIM. Era muito pedir um gerador para alguma emergência? Trataram o maior clássico do mundo como se fosse um jogo de abertura de temporada.

Agora, remarcaram o jogo para 2013. Será que no próximo jogo a AFA e a CBF vão se cuidar?

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Sem hipocrisia, por favor.

O jogo Coritiba x São Paulo, no Couto Pereira, pela última rodada do Brasileirão [o qual acabou em 1x1], foi marcado por uma cena chata de se ver nas arquibancadas. Uma torcedora jovem do Coritiba, fã do são-paulino Lucas, pediu a camisa do meia ano fim do jogo. Até aí, tudo bem, o Lucas deu e tal... Só que ela fez isso na arquibancada cheia de torcedor do Coritiba. Não deu outra: os coxa-branca caíram em cima, xingaram e alguns mais revoltados até tentaram agredir a garota. Resultado: ela teve que devolver a camisa, e ela saiu do estádio amparada pelo pai e coberta de xingamentos.

No Pacaembu, no jogo Corinthians x Sport [vencido pelo time alvinegro por 3x0], um torcedor foi retirado das arquibancadas do Corinthians por usar uma camisa do Celtic Glasgow, time escocês que usa as cores verde e branco. Não houve tentativa de agressão, mas o torcedor foi expulso.

Os dois episódios refletem o poder exagerado da torcida sobre ela mesma. Muitos críticos e moralistas podem perguntar: "Era pra tudo isso? Era pra tentar agredir uma menina porque ela pediu uma camisa do adversário? Era pra expulsar um cara que tava usando uma camisa verde de um time que nem do Brasil é?"

Tá, talvez não fosse pra tudo isso, mas não sejamos hipócritas. É natural uma torcida se revoltar, ou por derrota, ou pela rivalidade. O torcedor do Coritiba não tem nenhuma relação de rival ou algoz com o São Paulo, mas se há um jogo entre os dois, ali começa a guerra. É time contra time, é torcida contra torcida. Facilmente a gente entende que a garota não queria provocar: ela realmente era fã do Lucas pelo que ele joga no São Paulo e na Seleção, aí, na inocência, pediu a camisa dele. Mas vai dizer isso ao torcedor do Coxa, revoltado com o empate do time que tá na briga contra o rebaixamento... Seria bem mais cômodo a garota pedir no aeroporto, ou em algum outro lugar que não ALI.

No Pacaembu, ok, o Corinthians ganhou com folga. Mas ali o buraco é mais embaixo. Estamos falando de uma rivalidade de muito tempo, com um histórico GIGANTE de provocações, brigas e mortes. Se aparecesse um cara de preto na torcida do Palmeiras, também expulsariam. Se isso aconteceu com o cara do Celtic, também aconteceria com um torcedor da Juventus na arquibancada do Porco.

Por isso, comentaristas, críticos, moralistas e pessoas não muito ligadas a futebol: não estamos falando de jogo da Seleção Brasileira, em que todos vão por um time só, só pra assistir. Estamos falando de uma torcida apaixonada, doente, em que cada torcedor escolheu AQUELE time no meio de tantos. Isso explica tudo.