16 de dezembro de 2012. Um dia em que cerca 30 milhões de pessoas bradaram "Agora o mundo pode acabar que a gente é dono dessa porra!"
Você, corinthiano, tenho certeza que acordou às 6 da manhã de um domingo pra ver o jogo entre Corinthians e Chelsea. Provavelmente, nem dormiu. Você, que não é corinthiano... TAMBÉM. O jogo mais esperado de um time brasileiro no ano estava para acontecer, e ninguém queria perder. Ninguém queria ficar neutro. Corinthianos colocavam o coração acima de tudo e torciam pela equipe alvinegra, junto com alguns poucos torcedores que valorizavam a vitória do brasileiro sobre o europeu. Mas a maioria, a ABSOLUTA maioria... estava secando.
Robinho disse que seria 5x0 para o Chelsea; Marcos disse que torceria contra; centenas de pessoas no Twitter diziam que não sobraria nada do Corinthians contra um time europeu. Sejamos sinceros: a técnica individual dos jogadores do Chelsea supera a de qualquer equipe sulamericana. Afinal, no Chelsea tem jogadores como Hazard, Oscar, Lampard, Juan Mata, Ramires, Cech, entre outros. Jogadores que qualquer time, brasileiro ou não, adoraria ter no time.
Toda esta super-confiança do time europeu durou até o primeiro minuto de jogo. "Como assim? Deu 1 minuto de jogo e não tem gol do Chelsea??" "Como assim o Fernando Torres ainda não pegou na bola?" e outros pensamentos bastante fantasiosos dos secadores. ninguém acreditava nos corinthianos, a não ser eles mesmos. E entre eles, tinha a fé, o res
E se tem uma pessoa entre os corinthianos que merece respeito eterno, esta é Adenor Leonardo Bacchi, conhecido como Tite.
Tite montou o time no 4-3-3, esquema pra jogar bola. O Chelsea jogou no 4-5-1, apostando na qualidade do meio-campo e numa bola perdida para fazer o gol. Confirmando-se assim a profecia dada pouco depois do fim da Libertadores:
E a bola rolou de igual pra igual até um escanteio para o Chelsea, um chute de Cahill à queima-roupa e... o primeiro milagre do nome do jogo. Cássio agarrou, literalmente, "pra inglês ver". Fez verdadeiros milagres, superando em número e talvez em qualidade os milagres de Rogério Ceni em 2005, quando o São Paulo foi campeão sobre o Liverpool. Não por menos, levou a Bola de Ouro, prêmio de melhor jogador do campeonato. Fernando Torres, por duas vezes, parou no gigante. Cahill parou uma. Hazard parou uma. Mata parou uma. E Moses parou uma.
Ah, Victor Moses... Seu chute proporcionou a Cássio a oportunidade dele fazer A DEFESA DO ANO. Foi naquela defesa que a fé do corinthiano dobrou, que os secadores ficaram incrédulos e os poucos sensatos que sobraram pensaram: "Pra esta bola não entrar... O Corinthians tem que ser campeão deste torneio."
E, com este pensamento de que NADA poderia tirar este título ao Corinthians... o jogo seguiu.
O Chelsea pressionou, deu pra perceber. Mas o Corinthians também foi perigoso. Duas vezes, com Emerson Sheik. Danilo estava em um dia inspirado, jogou com muita calma e distribuiu muito bem o jogo. Chicão e David Luiz estavam fazendo uma competição particular para ver quem era o mais MONSTRO do jogo: nenhum deles perdia bola e sempre faziam a coisa certa quando exigidos. Ralf não deixou Juan Mata jogar. Mas, ainda assim, a bola corria. E era um jogo bonito de se ver.
Fim de primeiro tempo e toda aquela certeza dos secadores de que o Chelsea iria ganhar foi pro saco.
No segundo tempo, ocorreu o que ninguém pensava: o Corinthians botou o Chelsea na roda. ISSO MESMO, com exceção de algumas bolas aéreas, o Chelsea não chegava ao ataque, e o Corinthians mantinha a posse de bola.
E, na comparação entre os atacantes, Paolo Guerrero decidiu o lance que parou o mundo da bola por alguns segundos:
...enquanto Fernando Torres parava nos pés de Cássio.
No mais, Corinthians se segurando na defesa e fazendo bons contra-ataques. Até o fim do jogo.
E o jogo acabou. O bando de loucos tomou conta do mundo da bola. Ou, como diria Milton Leite, "o planeta-bola virou planeta-hospício".
Corinthianos, que festa. Desde a saída do time para o Japão, a Fiel esteve com o time. Colocou 25 mil torcedores (25 MIL!!!!) no Nissan Yokohama Stadium. O título mais que merecido, com grandes méritos a todos, mas especialmente de Cássio, Guerrero e Tite.
Aos patriotas: O time brasileiro ganhou. Derrotamos a soberba europeia. O melhor futebol do mundo é o BRASILEIRO, o que já ganhou cinco Copas do Mundo. Cinco.
Aos rivais: Nunca duvidem de um time que sempre viveu de superações. Da roubalheira de Dualib e o rebaixamento em 2007, ao topo do mundo em 2012, o Corinthians se baseou na volta por cima. Hoje tem a melhor estrutura do país, a maior organização e [olha só!!] a maior transparência. O são-paulino foi o que menos sofreu, pois ainda está com a ressaca da festa da Sul-Americana. O Santista sofreu como qualquer outro secador. Mas o Palmeirense... nossa, dá até pena de comentar. Série B e rival campeão do MUNDO no mesmo ano?? Vish...
Aos ingleses: SUCK IT.
Aos corinthianos: VAI CORINTHIANS!! E foi.
Ao Tite: Maior técnico da história do Corinthians, sem dúvidas. Todo corinthiano, em sua humildade, te agradece pelo feito.
A você, leitor: Obrigado por ler esta resenha. Tentei ser o menos clubista possível, mas não tem como. Domingo, dia 16/12/2012 foi o dia em que mais valeu a pena eu ter acordado cedo. Vi meu time ser campeão do mundo. Vi as piadinhas morrendo. No ambiente do torcedor de futebol, não há felicidade maior.
FOI, CORINTHIANS!!