domingo, 14 de outubro de 2012

"Eu não tô nem aí!"

É o que você vai ouvir se perguntar do Brasileirão a um corinthiano.


Há muito tempo o corinthiano queria se sentir assim: à vontade com o time. Sempre foi um torcedor cuja sombra era o sofrimento, a paixão exagerada. Por muitas vezes, isso fez o corinthiano tomar decisões insensatas, fazer jornadas incríveis... tudo por "uma vida, uma história, um amor".

O corinthiano via todos os outros torcedores em paz, principalmente o seu atual rival mais poderoso, o São Paulo, que adorava jogar o "6-3-3" na cara do alvinegro. Tirava onda mesmo, se sentia o superior. O corinthiano até tentava replicar, mas em muitos casos não conseguiam rebater, pois não tinham, até então, um argumento importante: título.

De 2008 pra cá, isto mudou. Começou com o título da Série B que, apesar de ser "Série B", começou a Era Mano Menezes no clube. Começou a redenção corinthiana, sob o comando de Andrés Sanches. Veio Ronaldo, vieram os títulos Paulista e da Copa do Brasil de 2009. Veio o tabu em cima do São Paulo. Começaram os argumentos a favor do Corinthians.

Em 2010 e 2011, eliminações inesperadas na Libertadores fizeram os rivais se engraçarem para cima dos alvinegros novamente. Era Flamengo pra cá, Tolima pra lá... a eliminação para o Tolima, por sinal, foi a única de um time brasileiro na fase preliminar da Libertadores. Foi o último jogo do Ronaldo Fenômeno em um clube. Foi o período de baixa alvinegra na década.

Mas, no mesmo ano, veio o Brasileirão de 2011. Vieram os 12 jogos invicto. Veio o 5x0 sobre o São Paulo com direito a frango de Rogério Ceni. Veio o Adriano que, mesmo gordo, aleijado, cachaceiro e drogado, fez um gol aos 43 do segundo tempo praticamente dando o título ao Timão. E, sobre o arquirrival Palmeiras, no dia da morte do ídolo e profeta Sócrates, o título Brasileiro.

Mas os rivais, como não podiam deixar de provocar, tinham os 2 argumentos clássicos: "Não tem estádio, não tem Libertadores". No fim do mandato do Andrés no Corinthians, a surpresa: O Corinthians está construindo um estádio. E será o palco do primeiro jogo da Copa do Mundo de 2014. Um argumento a menos.

Mas faltava o último argumento a derrubar. Faltava o sonhado e obsessivo título da Libertadores. E, em 2012, ele veio em grande estilo. Invicto. Final contra o Boca. O principal lance não foi um gol. A comemoração foi intensa, tanto que... a festa tá aí até hoje.

Campeonato Paulista? Que isso? Copa do Brasil? Palmeiras ganhou? Dane-se. O Corinthians tá no meio da tabela do Brasileirão, sem nenhuma pretensão? Tanto faz. O Fluminense é o líder? Deixa lá, tá tudo bem... EU NÃO TÔ NEM AÍ!

O corinthiano não quer saber do Brasileiro. Ele só quer saber que ganhou a Libertadores de 2012, que vai disputar o Mundial no Japão podendo encarar o Chelsea numa final, que o estádio do time dele será o da abertura da Copa, que é o time mais bem-sucedido das Américas na década. Ainda não caiu a ficha, o corinthiano não zoa o Fluminense, por exemplo.

O corinthiano agora só quer saber dele mesmo. Pra ele, ele tá na boa, os outros que corram atrás.
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário:

Postar um comentário