Você tá vendo um jogo qualquer. Falta perto da área. O cobrador se posiciona.
Não importa, você torce para que saia o gol. Não é mais bonito que o de bicicleta, de arrancada, ou um chutaço de longe. Mas é um dos gols mais mágicos do futebol. Ver aquela bola passando por cima da barreira e morrendo no canto do goleiro é uma das mais belas trajetórias que uma bola pode fazer. E, em certos casos, uma jogada ensaiada bem executada também enche os olhos de qualquer bom apreciador do futebol.
Hoje, o grande fazedor de gols de falta no mundo é Cristiano Ronaldo. O português bate de um jeito mais "pancada" na bola, não deixando ela girar. Com isso, a bola sofre os efeitos do vento e podem confundir o goleiro. Além disto, ele bate com muita força, então ou a bola bate na barreira... ou é gol.
Outro que bateu deste jeito por um bom tempo foi Juninho Pernambucano, tido pelo físico Ken Bray como o melhor batedor de faltas da história do futebol, e que já teve rendimento de incríveis 50% no auge. Começou batendo com o lado interno do pé, usando uma leve força. Com este tipo de batida ele fez o gol mais importante da carreira dele (vídeo). Depois alternou para uma batida ao estilo da do Cristiano Ronaldo, só que com menos força. Hoje ele é imprevisível: bate como quiser, e sempre leva perigo. Mas, com o peso da idade e a necessidade de treinar o físico, ele diminuiu os treinos de faltas e agora está com menor rendimento.
Outro brasileiro que leva perigo na bola parada é Marcos Assunção. Um dos sustentáculos do time palmeirense (com ele, Copa do Brasil. Sem ele, bagunça e zona de rebaixamento), é conhecido pela batida forte e com efeito, fazendo vários goleiros errarem o golpe de vista. O último dos grandes especialistas em bola parada no Brasil é Ronaldinho Gaúcho que já fez gols memoráveis em bola parada baseados na criatividade e categoria muito precisas, como o que fez contra a Inglaterra em plena Copa do Mundo de 2002 (vídeo) e contra o Santos no antológico 5x4 para o Flamengo em 2011 (vídeo).
Para 16 milhões de brasileiros, o maior nome das faltas no Brasil se chama Rogério Ceni. O goleiro com mais de 100 gols na carreira, fato que eu acho insuperável, sempre bateu com categoria as faltas da entrada da área. O gol mais importante da carreira dele (o centésimo, vídeo) foi de falta.
Para fechar a conta, o único jogador na face da terra que batia de modo "pancada", o chute mais forte sem ser por cima da barreira, e quase nunca errava: Roberto Carlos. Com chutes que chegavam a 130 km/h, o lateral brasileiro tinha em sua perna esquerda um CANHÃO que, se passasse da barreira, tudo dependia da coragem do goleiro em tomar nocaute ou deixar a bola passar. Pela opinião pública, é dele o gol de falta mais bonito de todos os tempos (vídeo).
No exterior, temos 2 grandes especialistas bem aí em cima, nesta imagem. David Beckham e Andrea Pirlo. Beckham sempre foi o batedor de faltas da Inglaterra, colocava a bola onde queria, e foi o único da lista até agora que já fez gol do meio de campo. E não foi só um não... mas hoje joga nos Estados Unidos, onde ninguém o vê. Pirlo até hoje faz seus gols de falta, mas sofre com a idade bem como Juninho.
O último grande nome da lista (eu tinha que deixar pro final) é Lionel Andrés Messi. Não tem toda a "arte" dos outros da lista, mas tem o que ele sempre tem em todos os fundamentos: eficiência. Não é aquele chute enganador de goleiro, nem bate de toda distância, mas... pegou a bola ali na entrada da área, jogou por cima da barreira, tá lá dentro, comemorou. Futebol parece ser tão fácil quando se vê o Messi jogar...
No fim das contas, toda esta apresentação foi para mostrar como há gente que ainda sabe bater falta atualmente. Só basta treinar, o talento tá aí. Pra quem se interessou, aqui vai um vídeo de cada jogador da lista:
Cristiano Ronaldo
Juninho Pernambucano
Marcos Assunção
Rogério Ceni
Roberto Carlos
Ronaldinho Gaúcho
David Beckham
Andrea Pirlo
Lionel Messi
Espero que o talento destes que atualmente guardam a bola em cobranças de falta sejam passados para os sucessores. Um gol de falta é sempre bonito de ver.